Capoeira e Inclusão Social

dezembro 16, 2010

O pesadelo de qualquer professor: o dia que só um aluno foi na aula

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 1:33 am

Galera aconteceu algo hoje que preciso compartilhar com vocês. Acho que todo profissional, seja da educação ou não tem aquele velho discurso manjado: “dar aula (ou apresentação) para uma pessoa somente é igual dar aula para uma turma de 30 (ou mais) pessoas”. Quer saber? Isso não é nada fácil. Bate aquela coisa do tipo, e agora? Caraca, ferrou. Deixa-me explicar como foi o dia hoje: lembra do post do dia chuvoso, imagina esse dia em Sampa, só que… com frio. Fala sério, não é para qualquer um nada. Final de não, chuva e frio é sinônimo de debandagem de alunos. Foi assim à noite hoje na academia, dois alunos (pô, mas o post não era falando de dar aula para um aluno? É só que um deles foi embora, kkkk, ninguém merece né? Alias o que foi embora é uma pessoa que merece meu total respeito e admiração, um senhor de quase setenta anos, o Bezerra… tá aí um bom tema para um novo post: Capoeira na terceira idade. Vamos ver em breve ok?).

Bom voltando das minhas comuns divagações, cheguei lá, todo dolorido (ando com uma dor no pé, acho que é esporão), somente estavam o mestre, o Bezerra e o Cris. Depois de me trocar o mestre disse: Fabiano, encara essa aí? Aquece com os meninos e dá uma boa aula. Pensei, caraca, ferrou (sei que já disse isso, mas não tenho culpa é o que passou na minha cabeça). Para quem me acompanha ai no blog, sabe que meu forte são as aulas com as crianças. Já dei aula outros dias da semana, todos menos de sábado que tem professor fixo, mas nunca para dois alunos (ok, ok, o Bezerra foi embora meia hora depois). Poxa, nem plano B eu tinha dessa vez, não existia um A.

Voltando ao discurso que comentei no começo, de verdade eu acredito que a aula para uma pessoa tem que ser tão especial quanto à aula para 30. Com certeza não é a mesma aula; é obvio que precisa de adaptação, mas nunca deve ser encarado como “ah, já que veio só isso, vou dar qualquer coisa”. Falo isso porque eu fui vitima de professores assim. Quantas vezes eu ia para escola embaixo de chuva (claro que nunca por vontade própria) e quando chegava somente tinha eu e mais duas ou três crianças e a professora nada de dar aula. Sempre achei uma put… sacanagem com quem vai para aula. Não é justo. Não digo que em sala de aula, principalmente em escolas de cursos apostilados devemos prejudicar os alunos que não vieram, não é justo com os que vieram, mas na boa, não é justo com quem faltou por motivos meteorológicos (igual atraso de vôo em avião: quem é o culpado?). Em sala de aula, seja de capoeira ou na escola modelo tradicional, o aluno que veio ou o que não veio não são culpados. Então a questão é, fazer o que com quem tá lá? Dar aula hora! Foi o que eu fiz, foi uma aula boa, agitada, divertida, cheia de movimentos. Fizemos basicamente todos os movimentos do verde, seqüência geral do amarelo e até apliquei uma avaliação no final (o Bezerra foi embora porque tinha que sair mais cedo). Enfim eu e o único aluno (o Cris, graduado 1º estágio) aproveitamos ao máximo a aula. Em resumo, fizemos uma revisão de todos os movimentos rapidamente. A coisa não ficou chata e pudemos suar a camisa.

Meu conselho profes de um aluno só, tenha visão empática. Se coloque no lugar daquele um único aluno que foi na sua aula. Sei que ele pode parecer um mala, mas não deixe isso tomar conta de você. Dê o seu melhor, nem que somente uma pessoa veja isso.

dezembro 10, 2010

A mosca do cocô do cavalo do bandido

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 12:20 am

Alguém já saiu de uma aula com a sensação horrível de que aquilo foi uma droga? Pois é, foi assim que eu me senti hoje. Parece que nunca tão poucas crianças bagunçaram tanto. Hoje tivemos uma assistência baixa; somente 7 alunos, sendo que dois tiveram que refletir sobre atitudes durante a aula e outra que tava com cara de bunda. Em resumo, aula para 4 alunos. Mas o que aconteceu? Sabe que nem eu sei direito. A aula de hoje faz parte de uma das aulas especiais que venho comentando. Um dos alunos, no caso de hoje o Gabriel, cordão amarelo ficou responsável por dar aula. Parece que eu me esqueci que não nascemos professores… a gente aprende como tudo na vida. Há pessoas que tem talento nato para a coisa, mas isso não as qualifica ou desqualifica. Tem gente que parece que nasceu para dar aula, mas que gosta de vendas e trabalha com isso, tem gente que parece que nasceu para trabalhar com legumes, sem tato nenhum com pessoas, mas que aprende a dar aula… caraca to filosofando de novo? Cuidado ao ler o resto do post… quando filosofo minha tendência a piadinhas sem graça se acentua.. onde eu tava? Ah… no Gabriel dando aula. O Gabriel foi minha inspiração para o ajudante da aula, mas obviamente isso não qualifica ninguém a dar aula. Tudo começou com a quantidade de alunos novos. Aulas de capoeira não são como uma sala de aula no sentido da logística. Em sala de aula temos alunos de 4ª série, por exemplo. Todos têm o mesmo nível, não é verdade? Claro que não, nem a mesma idade eles têm. Mas procura-se equilibrar as idades, nível de conhecimento, etc. em aulas de capoeira há desde alunos que começaram naquele dia até alunos que treinam a 2 ou 3 anos. Como um professor atende a essa necessidade sozinho? Não atende, ele precisa de ajuda. Só que eu descobri isso dando murro em ponta de faça. Até que um dia, o Gabriel, de livre e espontânea vontade começou a ajudar um aluno ao lado dele de 5 anos de idade (o Gabriel hoje tem 7, começou com 5 anos) a fazer alguns movimentos. Parecia que eu tinha descoberto a América. Desse dia em diante, passamos a ter ajudantes de aula. Conforme os alunos foram, sob a minha ótica, evoluindo, decidi que de vez em quando, dentro das aulas especiais, alunos dariam “aulas”. Essas aulas são básicas com aquecimento, alongamento e movimentos simples de verde. A primeira experiência com a Larissa e o Matheus foi ótima. Deram uma aula vibrante e empolgante. Decidi deixar o Gabriel experimentar dessa vez, só que antes de jogar o pobre menino no fogo, eu deveria ter passado orientações, ensinado a ser um professor por um dia. Ele foi ótimo; seguramente há coisas que podem ser melhoradas como aumentar a altura da voz de comando, organização, etc., mas de modo geral foi boa. Mas então? O que aconteceu que foi ruim? Eu não estava no espírito da aula. Sabe aquele dia que você se sente a mosca do cocô do cavalo do bandido? Esse sou eu hoje. É impressionante como isso contagia os alunos. Eu não conseguia ajudar o Gabriel, dei bronca em quem não devia, gritei mais do que podia e até acabei acertando um golpe na pobre da Larissa (obviamente não intencional, dentro do movimento técnico de um esporte que é de semi-contato, blá, blá, blá, mas nada disso importa, acertou). As coisas realmente não foram bem; o comportamento inadequado de três alunos os levou a ficarem separados, depois sentados (imagina você assistir uma aula de movimento, sem poder participar? É olhar com os olhos e lamber com a testa) e por fim, isolados. Levaram uma bronca do mestre Bahia. Cara que mals… para terminar a noite com chave de ouro, tive que ouvir de uma das alunas que eu tenho preferência por alguns alunos. Tenho? Será? Só a dúvida já deve indicar que sim. Tapão na cara isso foi. E agora o que fazer? Garanto para vocês que me senti um bos… boçal hoje. Isso deve ser ruim para qualquer professor. Sair da aula sentindo que não cumpriu sua missão. Que deixou seus alunos na mão, que poderia ter dado mais de si, que podia ter sido melhor. Sabe hoje eu esqueci de uma lição que eu tinha aprendido. Sabe galera sempre quis dar aula, quem me conhece sabe disso. Para mim, dar aula para as crianças do projeto da capoeira Lendas do Abaeté é uma honra tremenda, além de uma realização pessoal (ah lembrei agora, a mesma aluna que disse que tenho preferências me chamou de gordo… pô to fazendo o máximo para emagrecer… você sabe o que significa para um gordo ser chamado de gordo? Não? Porque tu deve ser magro), enfim eu gosto de estar lá. Não é obrigação, é paixão. Para mim cada aula é única, especial, como se fosse à última, essa é minha lição máxima. Hoje eu tratei a aula como só mais uma… foi isso que deu errado. Hoje, como todo ser humano eu perdi o pique, me desgastei e me cansei. Que culpa os alunos tinham? Nenhuma! Então que seja a última vez. Há um provérbio japonês que diz: se cair sete vezes, levante-se oito. No dia que você sair de uma aula se sentindo um mer… mercador errante (olha a piadinha sem graça me tomando), lembre-se que:

– ninguém tem culpa de você se sentir assim.

– essa pode ser sua última aula, que seja a melhor.

– se cair, levante de novo.

dezembro 1, 2010

Movimentos: Cordão Verde

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 1:37 am

Salve Galera. Um super axé pra todos. Aliás, o que quer dizer axé? kkkk é que já ouvi tanta coisa, se alguém puder explicar beleza… hehehe.

Bom depois de falar das aplicações das provas para as crianças na aula de capoeira, gostaria de esclarecer algo. Como havia comentado em posts atrás, toda aula tem um planejamento, com objetivos, blá, blá, blá, e etc. Algo importante para o professor é avaliar se o conteúdo que é apresentado aos alunos tem surtido resultado, afinal esse é ou não é nosso papel? Ensinar algo que seja verdadeiramente útil. OK pulemos a parte de curvas tangenciais na trigonometria e tals, não sei para você, mas para mim, foi totalmente inútil.

Uma das formas de avaliação que eu aplico (entre outras que vocês verão durante os posts de aulas) é a aplicação de golpes conforme uma lista previamente determinada. Há academias que exige dos alunos uma quantidade x para cada nível de graduação. Para o próximo x+y e para o último x+y+z. hehehe aprendi isso nas aulas de matemática, só não me pergunta pra quê. De verdade eu não acredito que uma lista de golpes aplicados para avaliação se você pode ou não passar de cordão seja a melhor coisa para um aluno. Eu tive isso no meu primeiro grupo e na boa… eu detestei… cara foi mó traumático. Tinha que decorar não sei quantos montes de golpes, faze-los perfeitinho na frente de uma pá de gente. Pô ninguém merece né não? Já não chega o monte de vexames que a gente passa na vida. Mas também não critico academias que adotam essa postura. Pra mim não foi bom, não quer dizer que não seja bom pra você.

Eu pessoalmente uso a lista como uma forma de verificação se estou passando corretamente os exercícios corretamente para os alunos. Digo e repito, sou contra graduar aluno sem saber os nomes dos movimentos, execução deles, tocar um berimbau ou não saber nada de história da capoeira. Tenho procurado fazer isso nas aulas. Sei que tá parecendo que eu quero me justificar no uso da lista. É um tema espinhoso. Minha sugestão é: veja se a lista se adapta a sua necessidade e use-a com algum objetivo que não seja apenas a execução de movimentos. Senão fica igual a prova de trigonometria… tu estuda, estuda, faz a prova, tira um C ou um 5,5 suficientes para passar e no outro dia… do que era mesmo que a gente tava falando…

Bora ver os movimentos do verde? Atenção, algo importante, eu adapto a minha lista, tiro alguns e modifico a ordem. Afinal de contas, se a gente não se permitir mudar, fica chatoooooooooo.

Posição inicial

  • Ginga
  • Ginga espelhada
  • Ginga defasada

Chutes

  • Ponteira
  • Martelo
  • Benção

Esquivas

  • Cocorinha
  • Esquiva lateral
  • Resistência

Golpes giratórios

  • Aú role
  • Armada
  • Meia Lua de compasso
  • Giro

Golpes de mão

  • Godeme
  • Galopante
  • Palma
  • Cotovelada
  • Desprezo
  • Arrastão

Golpes técnicos

  • Meia Lua de frente
  • Queixada lateral
  • Joelhada
  • Cabeçada
  • Negativa
  • Rasteira

Em breve, prometo que coloco os golpes do amarelo.

Axé.

novembro 26, 2010

Aula 25/11 – Dia de muita chuva em Sampa – plano B em ação

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 1:43 am

Vou começar a contar das minhas aulas a partir de hoje. Espero que sirva pra mim mesmo, quando olhar daqui a algum tempo e falar… caraca… poderia ter sido melhor… hehehe.

Hoje foi um dia chuvoso em Sampa. Chuvoso do tipo granizo, mais de 100 km de congestionamento e tals. Toda quinta-feira eu saio mais cedo do trampo para poder chegar no horário na academia. A aula para as crianças começa as 1930hs, enquanto que o treino dos adultos começa as 20:30hs em dia separado.

Antes de mais nada uma leve introdução a questão da metodologia da academia. Temos aulas todos os dias. Segundas e quintas aulas somente para crianças. De um modo geral chamamos lá de crianças os adolescentes com até 14 anos. Depois disso são “expirrados para os adultos”. Entretanto, os adolescentes de hoje não são mais como os do meu tempo. Há hormonios no leite dessas crianças (pelo menos foi o que eu ouvi dizer). Alguém já reparou como eles crescem? Bom, voltando… são cerca de 30 crianças em 50m², ou seja muita criança e pouco espaço. Dessa forma, reduzimos a galera. Isso evita trombadas, machucados e zona na aula. Então, além dos “a partir de 14 anos” os maiores de 1,50m também fazem aula com os adultos. Garanto pra vocês que ficou mais organizado. Também tem ajudado muito no desenvolvimento das aulas.

Voltando agora ao dia de hoje… toda aula minha é preparada, ou seja, tem objetivo, tem justificativa, tem metodologia, tem desenvolvimento e tem avaliação. Toda aula também eu procuro variar a metodologia. As vezes tenho outros monitores dando os movimentos, as vezes tem aula de instrumentos, outras de angola e ainda algumas que são basicamente brincadeiras. Vocês vão acabar vendo isso no decorrer do tempo.

Na aula de hoje a idéia era trazer um monitor chamado Adeilson para dar um treino de giros (golpes com giros ao redor do corpo de 180 e 360º como armada, meia lua de compasso, au, etc). Você acha que girar é fácil? Não é. É necessário coordenação motora, concentração e equilíbrio. Quem dá aula de Educação Física ou trabalha com crianças  hiperativas sabe que isso não é nada fácil. Ah, as crinças da academia estão em um patamar além da hiperatividade, diria mega super blaster master hiperatividade. Mas a danada da chuva levou meus planos por água a baixo. Acabei dispensando o monitor Adeilson porque o irmão trampa longe e não ia conseguir chegar.

Quando chove, como em qualquer escola, diminui consideravelmente a quantidade de crianças em sala. Não é diferente na academia. Para vocês terem idéia, quando cheguei na academia, depois de metrosão cheio, transito e muita buzinada, meu mestre nem tinha chego lá. A academia tava fechada. Nunca tinha visto isso. Confeço que no começo pensei “pô fala sério mestre”. Hehehe, achei que ele não viria. Meu pensamento virou pesadelo (sim eu sou dramático) quando vi dois alunos chegando e a porta fechada. Saí do carro, fui lá e comprimentei com um “salve moleques”. Um era o Mateus, conhecido por Coquinho (não chamo meus alunos por apelidos ok? mas é tradicional na capoeira termos pseudonimos) e o outro o Miguel, Miguelzinho porque é o menor aluno que eu tenho, tem 7 anos, mas tem tamanho de 5.

Logo o mestre chegou e para minha surpresa Larissa, Douglas, Thiago, Ederson, Luis Carlos e um aluno novo, o Michel que fez sua primeira aula. Algo eu tenho convicção, um aluno ou 30, a aula tem que ser dada. Detestava quando tava na escola e a professora não dava absolutamente nada (nada legal é claro) porque nem todo mundo tinha vindo porque choveu demais. Peraí, e a galera que veio não merece consideração?

Como eu tinha dispensado o Adeilson (com a chuva não podia pedir pro cara vir de lonjão vir dar a aula), teve que ter um plano B. Professores, dica, sempre estejam preparados para um plano B. Cedo ou tarde você vai precisar.

Quando temos poucos alunos é uma excelente oportunidade de aprimorar golpes que todos acham que conhecem, verificar erros menores e aplicar metodologias pensadas mas não praticadas. Acabei passando uma série de golpes de cordão verde normais de toda aula (somente 3 alunos hoje tinham uma graduação mínima, os outros todos são iniciantes) e alguns golpes de amarelo. Isso porque tenho vejo alguns cordões amarelos sem ter seus golpes básicos desenvolvidos ou até mesmo sem saber aplicar. Na semana passada eu havia prometido que iríamos começar, com todos os alunos, uma série de movimentos de amarelo. E promessa pra criança já viu né? Melhor não falar nada do que falar e não cumprir. Foi ótimo, mesmo deixando de lado a aula de movimentos giratórios, pude aplicar algo que queria faz tempo: a séria de movimentos de amarelo. Coordenamos o início de movimentos como parafuso, rabo de arraia, queda de rim e o coice. Todos gostaram e no final da aula puderam demostrar o que aprenderam. Sempre faço isso, pergunto, “o que de novo aprendemos hoje?”, “por favor, demonstre” e pergunto se gostaram.

Mesmo com um dia chuvoso, poucos alunos, atraso na abertura da academia, dispensa de um professor, modificação do treino, tivemos uma aula legal. Vamos ver o que nos aguarda semana que vem.

Vida Real

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 1:03 am

Meus amigos, é o seguinte dois e dois não é vinte… fala sério essa é péssima, mas… mais péssimo que isso é ficar 2, dois, two, dos mega anos sem escrever… que vergonha…

Galera muita coisa aconteceu neses dois imensos anos, mas isso é papo pra outro post… prometo que vou falar todas as aventuras em outra oportunidade. Como eu não me aguento, já anuncio novidades como uma parte dedicada a viagens – e o que isso tem a ver com capoeira? Tudo! Viajar é cultura, é conhecer gente, é descobrir odores e sabores. Isso é vida e capoeira é vida… então?? Outra novidade é a parte de fotos. Pô tá na hora de colocar fotos aqui, coisas mais reais.

E por falar em reais, um dos motivos que me trouxe de volta a blogosfera é a vida real. Sabe, quando comecei a escrever esse blog, ele era para a faculdade; o conteúdo era acadêmico, algumas vezes – nem todas – era forçado, meio que por obrigação. Eu sempre falei de algo que eu amo que é a capoeira, mas agora é hora de falar da capoeira na vida real. Pô, antes não era real? Era sim, mas era muito-o-o teórico, agora é a hora (já passou da hora) de colocar uma pitadinha de dia-a-dia nesse blog. Poxa, espero que haja gente pra eu falar, senão vira um blomólogo, sabe blog com monólogo? Ok, Ok vou parar com piadinhas sem graça, já vi que essa não é a minha. Como diria uma amiga minha, chaaaaaaaaaaaaaato.

A razão dessa volta a vida real são as minhas aulas e meus alunos. Pois é, depois de mó tempão de idas e vindas na capoeira, hoje eu dou aula… toda sagrada quinta-feira para um projeto que vocês vão ouvir falar muito nesse blog. Eu faço capoeira em uma academia de capoeira (fala sério, verdade??). Lá há os alunos que pagam e as crianças de uma comunidade (eufemismo para favela) que são convidadas a fazerem capoeira lá… mó legal… aí é que eu entro: dou aula para essas crianças.

O projeto do meu mestre Bahia sempre existiu, muito antes de eu fazer capoeira no Lendas do Abaeté (nome do meu grupo e um pouco de merchan). Teve uma época em que a pobreza gritava na minha vida e eu não podia pagar a academia (pobre é dose né?). Em comum acordo, durante um tempo eu fiquei sem pagar e comecei a dar aula para as crianças como forma de compensar o meu calote.

Poxa eu que fiz pedagogia, estudei feito um condenado, me mato pra melhorar minha performance tão prejudicada pelos quilos extras na capoeira e nunca tive a ousadia de associar a capoeira e a educação. Mas o blog não é exatamente sobre isso? Sim, sim e sim, mas… mas… mas… na teoria… faltava algo, faltava a Vida Real.

Agora é hora de falar do que aprendi, como tem sido minhas experiências com as aulas com as crianças e trazer de volta meus conceitos antigos, só que agora, na Vida Real.

setembro 3, 2007

Capoeira e Inclusão: a razão de ser

Filed under: Inclusão — Fabiano Portela Schmidt @ 12:12 am

Faz algum tempo que eu jogo capoeira. Bom se for contar, realmente já vão aí uns 5 anos de idas e vindas. E já faz 4 anos de faculdade. E o que tem a vê o focinho com a tomada? Tudo meu amigo. Não o focinho, mas a capoeira e a faculdade. Quando entrei na facu, deixei de jogar por um tempo. Muitos trabalhos, estágios, provas. Depois de aprender um pouco sobre educação comecei a olhar a capoeira com outros olhos. Quatro anos me fizeram diferente. Como o som da berimba que no começo é agudo e depois fica macio, melancólico, melhor na ladainha da Angola, também fui transformado com o tempo.

No começo eu via a capoeira como um movimento que precisava de flexibilidade, ritmo e força (e haja força viu!). Com o passar do tempo, vi que a capoeira não era só um jeito de mexer com o corpo, mas uma forma de valorizar as diferenças culturais envolvidas pelas pessoas que a jogavam.

Por falar em diferentes culturas, alguém saberia me dizer qual lugar é melhor do que a escola pra se ter contato com a cultura? Na escola a cultura tem um lugar de destaque. Há cultura nos diferentes livros, nos diferentes professores, nos diferentes alunos. É lá que há um resgate das nossas raízes, onde o que aprendemos fora da escola também é valorizado e onde nossas diferenças são reconhecidas. É reconhecendo o direto a tudo que faz do ser humano diferente e especial que nossas escolas tornam-se verdadeiramente inclusivas.

Mas as escolas são realmente assim? Nossas escolas estão entupidas de formalidades, papéis e burocracias. Chafurdam na vala do preconceito, discriminação e exclusão. Marcadas pela evasão, elas fracassam quando abandonam milhares de brasileiros, sejam eles crianças ou adultos, deixando de reconhecer e valorizar as diferenças, sejam elas quais forem. A escola acaba estabelecendo categorias de alunos: deficientes, carentes, comportados, inteligentes, hiperativos, agressivos e outros mais. É por meio dessa classificação que se perpetuam as injustiças na escola.

Nossa Constituição Federal garante o direto da Educação para todos, mas isso somente será uma verdade nas nossas escolas quando elas se especializarem em todos os alunos, e não apenas em alguns. Não é esquecendo que as diferenças existem que vamos mudar essa situação. É preciso ter escolas em que todos reconheçam as diferenças e necessidades.

A cultura popular, da qual a capoeira faz parte, nunca foi valorizada na educação formal. Sempre foi retratada de forma folclorizada, abordada de forma superficial e caricaturada.

A escola é o espaço de práticas como a capoeira como meio para a construção de novos conhecimentos. É um lugar onde a cooperação substitui a competição, onde as diferenças conversam entre si e encontram uma maneira de desenvolver ações inclusivas, que atraiam os alunos.

Para que ações inclusivas espalhadas por nosso país possam ser conhecidas, esse é nosso espaço. Aqui vamos trocar experiências com as pessoas que estão transformando nossas escolas. Vamos lutar contra a perversidade da exclusão.

“Esse texto foi escrito após minha decisão de entender a capoeira como uma ação inclusiva que permite a valorização de formas de saberes não-formais. A leitura do livro de Maria Teresa Eglér Mantoan – Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? – foi fundamental para as minhas afirmações atuais.

Um professor de Harvad – Robert Barth – descreve assim o valor da diversidade:

Eu preferiria que meus filhos freqüentassem uma escola em que as diferenças fossem observadas, valorizadas e celebradas como coisas boas, como oportunidades para a aprendizagem. A pergunta com que tantos educadores estão preocupados é: “Quais são os limites da diversidade além dos quais o comportamento é aceitável?”… Mas a pergunta que eu gostaria de ver formulada com mais freqüência é: “Como podemos fazer um uso consciente e deliberado das diferenças de classe social, gênero, idade, capacidade, raça e interesse como recursos para a aprendizagem?”… As diferenças encerram grandes oportunidades para a aprendizagem. Elas oferecem um recurso livre, abundante e renovável. Eu gostaria de ver nossa compulsão para eliminar as diferenças substituída por um enfoque igualmente insistente em se fazer uso dessas diferenças para melhorar as escolas. O que é importante sobre as pessoas – e sobre as escolas – é o que é diferente, não o que é igual (Barth, Robert. A personal vision of a good school. In Stainback, Susan e Willian. Inclusão: Um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. 451 p).

setembro 2, 2007

Amanhã tem prova… que medo!!!

Filed under: Avaliação — Fabiano Portela Schmidt @ 10:09 pm

Se alguém disser que não fica com aquele friozinho na barriga quando fala que tem prova no dia seguinte, é realmente um belo de um mentiroso. E o pior que prova não é só na escola que tem. Tem também em entrevista pra emprego, quando vamos encontrar com alguém que conhecemos só no virtual, quando batemos papo com amigos. É pra tudo na vida tem prova, ou melhor avaliação. A todo momento somos avaliados.

Quer ver um exemplo onde a avaliação tá sempre presente? Olha para o seu trabalho. Veja meu trampo como é: eu trabalho com vendas, lá eu seleciono as tarefas que tem que ser feitas com urgência, o que vai trazer dinheiro mais rápido. O que é essencial primeiro, secundário depois. Os melhores clientes para visitar, as principais cidades para viajar, ou seja, as características que tornam essas ações importantes devem ser selecionadas com cuidado.

Lá eu também tenho que diagnosticar o que causou uma baixa nas vendas do mês. Bom eu sempre acabo culpando alguma coisa pelas baixas, ou o dólar, ou o mercado, ou os clientes. Pareço mais um médico achando problemas para poder tratar, mas não são soluções rápidas que resolvem as coisas.

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é antecipar, de fazer prevenções, de predizer o que vai acontecer no futuro. Não é coisa de tarólogo não. Acredito que essa seja uma das minhas funções mais importantes porque antecipando eu “olho pra frente”. Com vendas é assim, não se trata de tentar controlar o que não se pode, mas de cuidar antes para não ser surpreendido por coisas que poderiam ser previstas.

Sabe uma das coisas que acho show fazer? Orientar. Quando orientamos alguém, na verdade estamos valorizando aquela pessoa. É agir para que alguém aprenda a fazer as coisas certas. Esse é um papel duplo como quando vemos gêmeos em novelas e sabemos que é uma pessoa só fazendo as duas personagens. Nesse momento sou o responsável, o mediador pela relação entre o conhecimento e a pessoa que aprende; sou também aquele que intervém usando recursos para que a aprendizagem aconteça.

Para avaliar usando essas formas, eu sou certificado pela minha empresa. Recebo constantemente uma avaliação externa, seja ela do meu chefe ou dos meus clientes e funcinários. Isso pode parecer uma forma de fiscalizar, de se intrometer, mas não é. Isso me mostra como estou, me ajudando a comparar e observar minhas ações.

A avaliação é uma forma de regular, ou seja, permitir que ela seja formativa, continuada. Algo que possibilite corrigir o que está acontecendo durante o processo das vendas, no meu caso. Dando-se durante o processo, ela diminui os riscos de surpresas desagradáveis e ajuda a rever as metas para o mês seguinte. Ela dá esperança porque permite intervir para que os nosos objetivos sejam alcançados.

Todos esse verbos sublinhados são funções da avaliação: selecionar, diagnosticar, antecipar, orientar, certificar e regular(retiradas do texto “Funções da Avaliação Hoje”, de Lino de Macedo. Ensaios Pedagógicos: Como Construtir uma Escola para Todos?). A avaliação que dá aquela dor de barriga, o medo de errar é a que chamamos de somativa (e não é porque é feita só em prova de Matemática). É aquela avaliação (prova mesmo) que só vê o que a gente aprendeu; só quer ver os nossos resultados. Esse é um grande problema de nossas escolas, uma verdadeiro mal enraizado, muitas vezes em uma roupinha novinha e bonitinha, mas que não passa de velhas ações tradicinais.

O problema é que muitos professores não se importam com o que o aluno aprendeu, mas com o que ele deixou de aprender. Dessa forma nossas escolas se tornam verdadeiros pesadelos para crianças, adolescentes e adultos. A escola que deveria ser um lugar para todos, acaba fugindo de sua vocação principal, se transformando num lugar de poucos. Os alunos que repetem de ano ficam marcados pelos colegas, professores, pais e até por eles mesmos. Essas é uma das várias faces da terrível exclusão.

Eu sei pouco a respeito de avaliação. Sei o que vivi na pele, das dores de barriga que eu tive, dos brancos, do que meus amigos contam. De uns tempos pra cá tenho aprendido coisas novas sobre a avaliação formativa, aquela que comentei mais acima, que é feita durante o processo. Pra falar um pouquinho mais (ops! acho que falei a bessa) sobre avaliação formativa, quero convidá-los a assistirem uma entrevista dada por uma amiga. Ela fala um pouco de como fazer a aprendizagem andar de mãos dadas com a avaliação e sobre algo muito legal que é o portfólio. Vamos lá aprender com a entrevista de Dinéia Hypolitto!

agosto 31, 2007

Qual o teu RG?

Filed under: Capoeira — Fabiano Portela Schmidt @ 3:20 am

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Quando alguem pergunta qual o teu RG, todo mundo já saber a resposta. Bom tem gente que não decora de jeito nenhum, mas aí a história é outra. Mas não há quem não saiba o que é o RG. Tive as moral de ver no goolge (não o acadêmico) pra ver o que é RG (aliás, amigos, depois que inventaram o goolge, fala sério né? tudo se acha lá). RG ou Registro Geral, ou Cédula de Identidade, é o documento nacional de identificação civil. Em outro link, diz que é um instrumento oficial que tem a finalidade de provar a identidade de uma pessoa. Cara muito xique isso. E quando o assunto é identidade a coisa esquenta. Nos últimos anos uma discussão tem devastado nossa sociedade (e olha que isso não é nada novo). Qual a identidade do povo brasileiro? Qual a nossa raça? Quando eu era pequeno, aprendi na escola que o povo brasileiro era formado pelo branco, pelo negro e pelo índio (coitados dos meus amiguinhos japas ou de mim mesmo que até aquela época não havia definição para minha cor – meu RG tá cutis branca, mas eu não sei muito bem disso não). Aprendi que da mistura dessas três raças é que a identidade do povo brasileiro foi formada. E acabou. Hoje as coisas mudaram, já não se fala em três raças; pesquisas indicam que a quantidade de genes do povo brasileiro é tão distanta, que um branco pode ser mais negro que um negro. Cara isso é muito loko. Mas e a nossa identidade cultural, nosso RG? Muito comenta-se hoje em herança dos povos, o branco da minha época virou elemento europeu, o negro virou africano (?) e o índio continua índio. Mas não se fala mais que dos africanos herdamos palavras e do índio temos o nome de ruas e bairros. A cultura desses povos, juntos com os orientais (da Arábia ao Japão), judeus, latino americanos formaram e continuam a mudar constantemente nosso povo. Um dos elementos de formação cultural mais expressivo do povo brasileiro é a Capoeira.

O movimento da Capoeira representa 500 anos de tradição, um verdadeira patrimônio cultural negro, instrumento de um povo que lutou pelo principal valor da humanidade: a liberdade.

As origens da capoeira estão ligadas a formação da nação brasileira. O batuque, a reza e o canto eram os meios encontrados para aliviar a asfixia da escravidão. No som dos atabaques continuava vivo o culto aos orixás e danças de onde nasceu a capoeira. A forma de resistência aos opressores era por meio da prática da arte, transmissão de cultura e melhora da auto-estima do escravo.

A capoeira é essa mistura de luta, dança, arte marcial, cultura popular, música e brincadeira. É uma valiosa contribuição para o nosso RG cultural; é parte de nossa história e lembraça das lutas que marcaram o povo brasileiro. É uma das mais significativas contribuições dos africanos, negros, escravos e seus descendentes para a formação da nossa identidade.

agosto 29, 2007

Mestre Bimba e Mestre Pastinha

Filed under: Capoeira — Fabiano Portela Schmidt @ 8:07 pm

Qual o mestre mais conhecido de todos? Qual a primeira coisa que todo calouro aprende em qualquer lugar do mundo em que se jogue a Capoeira Regional?

Manuel dos Reis Machado, esse era o seu nome. Mestre Bimba foi o responsável por colocar na Capoeira movimentos de artes marciais e desenvolver um treinamento como o que conhecemos hoje em dia.

Bimba começou a jogar Capoeira com 12 anos e jogou por 10 a Capoeira de Angola. Naquela época a Capoeira era proibida e considerada um crime.

Em 1932, Mestre Bimba fundou, com o apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, a primeira escola de Capoeira do Brasil, em Salvador.

A Capoeira Regional apareceu quando Bimba percebeu que a Angola perdia espaço para as lutas estrangeiras (karatê, judô, kung-fu, etc). Bimba procurou modernizar a Capoeira, sem perder suas tradições. Certa vez em que o mestre se encontrou com o então presidente Getúlio Vargas, ele disse: “A Capoeira é a única luta verdadeiramente nacional”.

Desenvolveu novos golpes para ela se tornar mais competitiva e tirou parte da ritualidade presente nas Rodas de Angola.

É crédito de Bimba hoje o berimbau ser o instrumento mais famoso nas rodas, já que antes era comum o uso da viola.

Bimba sempre afirmou que o maior diferencial da Capoeira Regional era sua seqüência de ensino, onde além de passar movimentos básicos para o iniciante, também havia parceria e autoconfiança.

Em 1946 foi feita a primeira apresentação pública de Capoeira. Depois da experiência ter dado certo, Bimba começou a fazer exibições com dia e hora marcada. Algo que era antes impossível para qualquer capoeirista, agora era realidade: ganhar dinheiro de forma honesta com sua arte.

Mestre Bimba é responsável pela Capoeira Regional ser jogada hoje em mais de 150 países.

Do outro lado da capoeira, Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha) pregava a tradição, o jogo matreiro, de malícia, estilo que passou a ser conhecido como Angola.

Pastinha é conhecido como o Mestre da Cultura Africana. Ele era um pensador da Capoeira. Seu estilo teve seguidores por todo o Brasil. Para ele era importante o trabalho físico e mental para que o talento e a criatividade crescessem.

Fundou a primeira escola de Capoeira de Angola, o “Centro Esportivo de Capoeira Angola”, no Pelourinho, Bahia.

Durante décadas se dedicou ao ensino da Capoeira e mesmo completamente cego não deixava seus discípulos.

Graças às diferenças entre esses dois grandes mestres, a Capoeira deixou de ser marginalizada e se espalhou da Bahia para o mundo.

Chega Mais!

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 7:24 pm
No mar, no mar, no mar
No mar eu fui pescar
No mar, no mar, no mar
Minha sereia
É sereia
Que cantiga bonita essa! É uma das várias versões de uma peça de teatro do nosso folclore. Sempre quando temos alguma apresentação importante, nosso mestre Bahia apresenta a Puxada de Rede. Eu gosto demais disso.
Eu fiquei algum tempo fora de escrever no meu blog. É como se eu também tivesse ido pescar lá longe no mar. Foi uma longa viagem de meses por marés altas, ondas bravas e mar arredio. Uma verdadeira tempestade. Mas quem é que não sabe que depois de uma tempestade sempre vem um céu limpo e claro.
De volta da viagem pelo mar, trouxe algums novidades para nosso blog. Algumas idéias se desanuviaram. Muita coisa boa vem por aí. Vamos falar mais da capoeira, da onde ela vem, o que ela é, pra que ela serve, quem tá jogando por aí. Vamos fazer muito axé.
Também vamos trocar experiências e conhecer amigos que tem encontrado na capoeira um meio para ajudar crianças e adultos pelo nosso Brasil e quem sabe pelo mundo. Vamos falar um pouco mais sobre inclusão.
Outras duas conversas que vão estar conosco agora é a comunicação e a avaliação. E por que falar disso? Vamos falar de comunicação porque afinal, o que estamos fazendo aqui senão nos comunicando? E avaliação porque eu acredito que essas é das formas mais doloridas de excluir as pessoas.
Como vimos muito assunto bom vai rolar por aqui. Espero que o tempo distante tenha valido a pena.
Salve e muito axé amigos!
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