Capoeira e Inclusão Social

Setembro 2, 2007

Amanhã tem prova… que medo!!!

Arquivado em: Avaliação — Fabiano Portela Schmidt @ 10:09 pm

Se alguém disser que não fica com aquele friozinho na barriga quando fala que tem prova no dia seguinte, é realmente um belo de um mentiroso. E o pior que prova não é só na escola que tem. Tem também em entrevista pra emprego, quando vamos encontrar com alguém que conhecemos só no virtual, quando batemos papo com amigos. É pra tudo na vida tem prova, ou melhor avaliação. A todo momento somos avaliados.

Quer ver um exemplo onde a avaliação tá sempre presente? Olha para o seu trabalho. Veja meu trampo como é: eu trabalho com vendas, lá eu seleciono as tarefas que tem que ser feitas com urgência, o que vai trazer dinheiro mais rápido. O que é essencial primeiro, secundário depois. Os melhores clientes para visitar, as principais cidades para viajar, ou seja, as características que tornam essas ações importantes devem ser selecionadas com cuidado.

Lá eu também tenho que diagnosticar o que causou uma baixa nas vendas do mês. Bom eu sempre acabo culpando alguma coisa pelas baixas, ou o dólar, ou o mercado, ou os clientes. Pareço mais um médico achando problemas para poder tratar, mas não são soluções rápidas que resolvem as coisas.

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é antecipar, de fazer prevenções, de predizer o que vai acontecer no futuro. Não é coisa de tarólogo não. Acredito que essa seja uma das minhas funções mais importantes porque antecipando eu “olho pra frente”. Com vendas é assim, não se trata de tentar controlar o que não se pode, mas de cuidar antes para não ser surpreendido por coisas que poderiam ser previstas.

Sabe uma das coisas que acho show fazer? Orientar. Quando orientamos alguém, na verdade estamos valorizando aquela pessoa. É agir para que alguém aprenda a fazer as coisas certas. Esse é um papel duplo como quando vemos gêmeos em novelas e sabemos que é uma pessoa só fazendo as duas personagens. Nesse momento sou o responsável, o mediador pela relação entre o conhecimento e a pessoa que aprende; sou também aquele que intervém usando recursos para que a aprendizagem aconteça.

Para avaliar usando essas formas, eu sou certificado pela minha empresa. Recebo constantemente uma avaliação externa, seja ela do meu chefe ou dos meus clientes e funcinários. Isso pode parecer uma forma de fiscalizar, de se intrometer, mas não é. Isso me mostra como estou, me ajudando a comparar e observar minhas ações.

A avaliação é uma forma de regular, ou seja, permitir que ela seja formativa, continuada. Algo que possibilite corrigir o que está acontecendo durante o processo das vendas, no meu caso. Dando-se durante o processo, ela diminui os riscos de surpresas desagradáveis e ajuda a rever as metas para o mês seguinte. Ela dá esperança porque permite intervir para que os nosos objetivos sejam alcançados.

Todos esse verbos sublinhados são funções da avaliação: selecionar, diagnosticar, antecipar, orientar, certificar e regular(retiradas do texto “Funções da Avaliação Hoje”, de Lino de Macedo. Ensaios Pedagógicos: Como Construtir uma Escola para Todos?). A avaliação que dá aquela dor de barriga, o medo de errar é a que chamamos de somativa (e não é porque é feita só em prova de Matemática). É aquela avaliação (prova mesmo) que só vê o que a gente aprendeu; só quer ver os nossos resultados. Esse é um grande problema de nossas escolas, uma verdadeiro mal enraizado, muitas vezes em uma roupinha novinha e bonitinha, mas que não passa de velhas ações tradicinais.

O problema é que muitos professores não se importam com o que o aluno aprendeu, mas com o que ele deixou de aprender. Dessa forma nossas escolas se tornam verdadeiros pesadelos para crianças, adolescentes e adultos. A escola que deveria ser um lugar para todos, acaba fugindo de sua vocação principal, se transformando num lugar de poucos. Os alunos que repetem de ano ficam marcados pelos colegas, professores, pais e até por eles mesmos. Essas é uma das várias faces da terrível exclusão.

Eu sei pouco a respeito de avaliação. Sei o que vivi na pele, das dores de barriga que eu tive, dos brancos, do que meus amigos contam. De uns tempos pra cá tenho aprendido coisas novas sobre a avaliação formativa, aquela que comentei mais acima, que é feita durante o processo. Pra falar um pouquinho mais (ops! acho que falei a bessa) sobre avaliação formativa, quero convidá-los a assistirem uma entrevista dada por uma amiga. Ela fala um pouco de como fazer a aprendizagem andar de mãos dadas com a avaliação e sobre algo muito legal que é o portfólio. Vamos lá aprender com a entrevista de Dinéia Hypolitto!

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