Capoeira e Inclusão Social

novembro 26, 2010

Aula 25/11 – Dia de muita chuva em Sampa – plano B em ação

Filed under: Uncategorized — Fabiano Portela Schmidt @ 1:43 am

Vou começar a contar das minhas aulas a partir de hoje. Espero que sirva pra mim mesmo, quando olhar daqui a algum tempo e falar… caraca… poderia ter sido melhor… hehehe.

Hoje foi um dia chuvoso em Sampa. Chuvoso do tipo granizo, mais de 100 km de congestionamento e tals. Toda quinta-feira eu saio mais cedo do trampo para poder chegar no horário na academia. A aula para as crianças começa as 1930hs, enquanto que o treino dos adultos começa as 20:30hs em dia separado.

Antes de mais nada uma leve introdução a questão da metodologia da academia. Temos aulas todos os dias. Segundas e quintas aulas somente para crianças. De um modo geral chamamos lá de crianças os adolescentes com até 14 anos. Depois disso são “expirrados para os adultos”. Entretanto, os adolescentes de hoje não são mais como os do meu tempo. Há hormonios no leite dessas crianças (pelo menos foi o que eu ouvi dizer). Alguém já reparou como eles crescem? Bom, voltando… são cerca de 30 crianças em 50m², ou seja muita criança e pouco espaço. Dessa forma, reduzimos a galera. Isso evita trombadas, machucados e zona na aula. Então, além dos “a partir de 14 anos” os maiores de 1,50m também fazem aula com os adultos. Garanto pra vocês que ficou mais organizado. Também tem ajudado muito no desenvolvimento das aulas.

Voltando agora ao dia de hoje… toda aula minha é preparada, ou seja, tem objetivo, tem justificativa, tem metodologia, tem desenvolvimento e tem avaliação. Toda aula também eu procuro variar a metodologia. As vezes tenho outros monitores dando os movimentos, as vezes tem aula de instrumentos, outras de angola e ainda algumas que são basicamente brincadeiras. Vocês vão acabar vendo isso no decorrer do tempo.

Na aula de hoje a idéia era trazer um monitor chamado Adeilson para dar um treino de giros (golpes com giros ao redor do corpo de 180 e 360º como armada, meia lua de compasso, au, etc). Você acha que girar é fácil? Não é. É necessário coordenação motora, concentração e equilíbrio. Quem dá aula de Educação Física ou trabalha com crianças  hiperativas sabe que isso não é nada fácil. Ah, as crinças da academia estão em um patamar além da hiperatividade, diria mega super blaster master hiperatividade. Mas a danada da chuva levou meus planos por água a baixo. Acabei dispensando o monitor Adeilson porque o irmão trampa longe e não ia conseguir chegar.

Quando chove, como em qualquer escola, diminui consideravelmente a quantidade de crianças em sala. Não é diferente na academia. Para vocês terem idéia, quando cheguei na academia, depois de metrosão cheio, transito e muita buzinada, meu mestre nem tinha chego lá. A academia tava fechada. Nunca tinha visto isso. Confeço que no começo pensei “pô fala sério mestre”. Hehehe, achei que ele não viria. Meu pensamento virou pesadelo (sim eu sou dramático) quando vi dois alunos chegando e a porta fechada. Saí do carro, fui lá e comprimentei com um “salve moleques”. Um era o Mateus, conhecido por Coquinho (não chamo meus alunos por apelidos ok? mas é tradicional na capoeira termos pseudonimos) e o outro o Miguel, Miguelzinho porque é o menor aluno que eu tenho, tem 7 anos, mas tem tamanho de 5.

Logo o mestre chegou e para minha surpresa Larissa, Douglas, Thiago, Ederson, Luis Carlos e um aluno novo, o Michel que fez sua primeira aula. Algo eu tenho convicção, um aluno ou 30, a aula tem que ser dada. Detestava quando tava na escola e a professora não dava absolutamente nada (nada legal é claro) porque nem todo mundo tinha vindo porque choveu demais. Peraí, e a galera que veio não merece consideração?

Como eu tinha dispensado o Adeilson (com a chuva não podia pedir pro cara vir de lonjão vir dar a aula), teve que ter um plano B. Professores, dica, sempre estejam preparados para um plano B. Cedo ou tarde você vai precisar.

Quando temos poucos alunos é uma excelente oportunidade de aprimorar golpes que todos acham que conhecem, verificar erros menores e aplicar metodologias pensadas mas não praticadas. Acabei passando uma série de golpes de cordão verde normais de toda aula (somente 3 alunos hoje tinham uma graduação mínima, os outros todos são iniciantes) e alguns golpes de amarelo. Isso porque tenho vejo alguns cordões amarelos sem ter seus golpes básicos desenvolvidos ou até mesmo sem saber aplicar. Na semana passada eu havia prometido que iríamos começar, com todos os alunos, uma série de movimentos de amarelo. E promessa pra criança já viu né? Melhor não falar nada do que falar e não cumprir. Foi ótimo, mesmo deixando de lado a aula de movimentos giratórios, pude aplicar algo que queria faz tempo: a séria de movimentos de amarelo. Coordenamos o início de movimentos como parafuso, rabo de arraia, queda de rim e o coice. Todos gostaram e no final da aula puderam demostrar o que aprenderam. Sempre faço isso, pergunto, “o que de novo aprendemos hoje?”, “por favor, demonstre” e pergunto se gostaram.

Mesmo com um dia chuvoso, poucos alunos, atraso na abertura da academia, dispensa de um professor, modificação do treino, tivemos uma aula legal. Vamos ver o que nos aguarda semana que vem.

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